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Dólar Hoje (28/01): Moeda Americana no Menor Patamar Desde 2024 - O Que Esperar Hoje?
Resumo:O cenário cambial brasileiro inicia esta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, em um momento de tensão e expectativa máxima. O dólar comercial encerrou a sessão anterior, terça-feira (27), em uma queda expressiva de 1,38%, fechando cotado a R$ 5,2074 na venda, seu menor patamar de fechamento desde 28 de maio de 2024.

Publicado em 28/01/2026
O cenário cambial brasileiro inicia esta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, em um momento de tensão e expectativa máxima. O dólar comercial encerrou a sessão anterior, terça-feira (27), em uma queda expressiva de 1,38%, fechando cotado a R$ 5,2074 na venda, seu menor patamar de fechamento desde 28 de maio de 2024. Este movimento não foi isolado: ocorreu em sintonia com uma forte desvalorização do dólar norte-americano no exterior e foi impulsionado por um fluxo maciço de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira, que levou o Ibovespa a romper a barreira histórica dos 181 mil pontos. Às 6:56 da manhã de hoje, os dados em tempo real já apontam o USD/BRL operando em torno de R$ 5,1811, sugerindo uma abertura ainda mais baixa. No entanto, este é um dia decisivo. Duas reuniões cruciais de política monetária – do Copom (Banco Central do Brasil) e do FOMC (Federal Reserve dos EUA) – ocorrem hoje, e suas decisões e comunicações têm o poder de reverter ou acelerar essa tendência de baixa do dólar. Este artigo analisa os fatores que pressionaram a moeda americana, avalia projeções de especialistas sobre o “valor justo” do dólar e traça os possíveis cenários para a cotação ao longo do pregão de hoje.
O Fechamento Histórico de Terça-Feira: Uma Análise dos Drivers da Queda
A queda do dólar para R$ 5,20 na terça-feira não foi um evento casual, mas sim o resultado de uma confluência poderosa de fatores internos e externos. No front internacional, o índice do dólar (DXY), que mede a força da moeda contra uma cesta de seis divisas, registrou uma queda de 1,00%, para 96,133 pontos. O dólar enfraqueceu contra o euro, o iene e até mesmo contra moedas de pares emergentes como o peso chileno e o peso mexicano. Este movimento global foi atribuído a uma rotação de investimentos para fora dos Estados Unidos e a um maior apetite por risco dos investidores internacionais, que buscam retornos em economias com juros mais elevados.
No Brasil, este vento favorável externo encontrou um terreno fértil. O principal catalisador local foi o fluxo expressivo de investimento estrangeiro direto na Bolsa de Valores. O Ibovespa não apenas subiu, mas rompeu a resistência psicológica de 181 mil pontos, marcando um novo recorde histórico. Esse desempenho excepcional do mercado acionário sinaliza forte confiança externa na economia brasileira e atrai dólares que são convertidos em reais para comprar ações, aumentando a oferta da moeda americana no mercado de câmbio e, consequentemente, pressionando seu preço para baixo. Como comentou João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos, “a queda do dólar hoje é uma combinação de maior apetite a risco no exterior e uma rotação global, para fora dos EUA”. Além disso, o diferencial de juros entre Brasil (Selic em 15%) e Estados Unidos (taxa básica entre 3,50% e 3,75%) continua sendo um ímã poderoso para captação de recursos do exterior, um fenômeno conhecido como “carry trade”.
No front de dados econômicos, o IPCA-15 de janeiro, uma prévia da inflação oficial, veve ligeiramente abaixo das expectativas para o mês (0,20% contra 0,21% projetado), embora a taxa anual tenha subido de 4,41% para 4,50%. O dado, em linha com as projeções, não assustou o mercado e manteve intacta a expectativa de que o Copom manteria a Selic em 15% em sua reunião de hoje, sustentando assim o atrativo de juros.
Projeções de Valor e a Visão de Stuhlberger: R$ 4,40 É Realista?
Enquanto o mercado opera em torno de R$ 5,20, uma das vozes mais respeitadas do mercado financeiro brasileiro projeta um caminho de queda ainda mais acentuado. Luis Stuhlberger, gestor-chefe do Fundo Verde (Verde Asset Management), afirmou durante o Latin America Investment Conference (LAIC) que acredita que o “valor justo” (fair value) do dólar seria de R$ 4,40. Esta declaração, que soa radical para muitos, baseia-se em uma análise macroeconômica de longo prazo e na expectativa sobre a política americana.
Stuhlberger argumenta que a gestão do governo do presidente Donald Trump será um propulsor ativo da desvalorização do dólar. Ele observa um padrão histórico: “toda vez que alguém de direita ganha a eleição, o câmbio vai para o 'fair value'”. Trump tem sido um crítico vocal de um dólar forte, que prejudica as exportações americanas, e tem pressionado publicamente o Federal Reserve por cortes de juros mais agressivos. Stuhlberger complementa: “Acredito que Trump vai fazer o inimaginável para que o dólar se desvalorize -- ele está conseguindo, e esse movimento ainda não acabou”. Esta visão sugere que a pressão de baixa sobre o dólar não é apenas cíclica, mas pode ser estrutural e apoiada por ações políticas.
O gestor também pondera que, apesar da recente valorização, o real se apreciou bem menos do que outras moedas frente ao dólar, indicando que pode haver espaço para um “catching up”. Para investidores e empresas, essa projeção de R$ 4,40 serve como um farol de longo prazo, indicando uma possível trajetória de apreciação sustentada do real nos próximos anos, caso as condições macroeconômicas globais e domésticas se alinhem com essa visão.
O Dia Decisivo: O Impacto das Decisões do Copom e do Fed Hoje
Toda a movimentação da semana converge para este momento: as decisões de política monetária que serão anunciadas hoje, 28 de janeiro. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne e a expectativa quase unânime do mercado é pela manutenção da taxa Selic em 15%. No entanto, como ocorre frequentemente, a decisão em si é menos importante do que a comunicação (forward guidance) que a acompanha. O mercado estará dissecando cada palavra do comunicado e da ata (a ser divulgada na semana seguinte) em busca de sinais sobre o timing do início do ciclo de cortes de juros. Qualquer indicação de que o corte pode ser antecipado, devido ao controle da inflação, poderia enfraquecer o real no curto prazo, pois reduziria o atrativo do diferencial de juros. Por outro lado, um comunicado mais “hawkish” (restritivo), que enfatize a persistência de pressões inflacionárias e a necessidade de manutenção dos juros altos por mais tempo, poderia dar suporte adicional ao real, potencialmente levando o dólar a testar patamares ainda mais baixos.
Do outro lado do hemisfério, o Federal Open Market Committee (FOMC) do Federal Reserve também anuncia sua decisão. A expectativa também é de manutenção das taxas de juros americanas. O grande elemento de incerteza, porém, não é a taxa em si, mas o clima de tensão política em torno do Fed. O presidente Trump tem sido um crítico ferrenho do chairman Jerome Powell, cujo mandato termina em maio, e tem ameaçado processos e pressionado por indicações de aliados ao comitê. Arend Kapteyn, economista-chefe global do UBS, avalia que essas oscilações internas têm potencial para influenciar as decisões futuras sobre juros. Se o comunicado do Fed sinalizar uma postura mais “dovish” (acomodatícia), antecipando cortes para apaziguar pressões políticas, o dólar poderá se enfraquecer ainda mais no mercado internacional, o que seria um vento de cauda para a continuação da queda do USD/BRL. Se o Fed se mostrar mais resiliente e independente, mantendo uma postura neutra, o dólar pode encontrar algum alívio.
Cenários Para a Abertura e o Pregão de Hoje (28/01)
Com base no fechamento de R$ 5,2074 e na cotação em tempo real da manhã (R$ 5,1811), a abertura do mercado às 9h deve ocorrer em território de baixa, possivelmente abaixo de R$ 5,20. Os níveis iniciais de suporte a serem observados são R$ 5,18 e, mais abaixo, a região de R$ 5,15-5,1539 (o fechamento de maio de 2024). Já a resistência imediata fica no patamar de R$ 5,20-5,21, que antes era suporte e agora pode atuar como resistência.
A dinâmica do pregão será duplamente volátil, primeiro na expectativa e depois na reação às decisões dos bancos centrais. Podemos considerar três cenários principais:
- Cenário de Continuação da Queda (Mais Provável no Curto Prazo): Se o fluxo positivo para o Ibovespa se mantiver e o dólar global continuar fraco, o USD/BRL pode testar e romper o suporte de R$ 5,18 ainda durante a manhã, buscando os R$ 5,15. Uma comunicação firme do Copom e um Fed perceived como dócil podem acelerar este movimento.
- Cenário de Correção Técnica (Cenário de Alívio): Após uma queda acentuada, é natural que haja uma correção técnica por realização de lucros de quem apostou na baixa do dólar. Além disso, se o Ibovespa der uma pausa em sua alta recorde ou se houver uma reversão pontual do dólar no exterior, o par USD/BRL pode encontrar compradores e se recuperar para a faixa de R$ 5,22 a R$ 5,25.
- Cenário de Virada de Mercado (Menos Provável, Mas Possível): Caso o comunicado do Copom seja surpreendentemente dovish (sinalizando cortes iminentes) E o Fed se mostrar mais hawkish do que o esperado, poderíamos ver uma reversão agressiva. Neste caso, o dólar poderia romper a resistência de R$ 5,25 e buscar uma retomada para patamares mais altos, revertendo parte da queda recente. As declarações de Trump também são um fator de risco imprevisível que pode causar volatilidade instantânea.
Conclusão: Uma Tendência de Baixa Com Obstáculos Pela Frente
O dólar a R$ 5,20 representa um marco psicológico importante e coroa um movimento de desvalorização acumulada de 5,13% no ano. Os fundamentos para uma pressão contínua de baixa existem e são robustos: dólar fraco globalmente, fluxo estrangeiro consistente para a Bolsa, diferencial de juros elevado e uma visão macro de longo prazo (como a de Stuhlberger) que aponta para um real estruturalmente mais forte.
No entanto, o mercado cambial é um jogo de expectativas e reações instantâneas. A sessão de hoje será um teste de fogo para a recente força do real. As decisões do Copom e do Fed não são o fim, mas um novo começo para a narrativa. Investidores, exportadores e importadores devem se preparar para volatilidade elevada a partir do meio da tarde, quando os comunicados forem divulgados. A trajetória de mais longo prazo em direção a um “valor justo” potencialmente mais baixo (R$ 4,40) parece plausível sob as condições atuais, mas o caminho não será linear. Entre hoje e esse patamar, haverá correções, sustos e movimentos bruscos. A lição do fechamento de R$ 5,20 é que, por ora, os ventos sopram a favor do real, mas a tempestade de notícias de hoje pode redirecionar essa brisa de forma abrupta. A gestão cautelosa de risco e a atenção aos detalhes da comunicação dos bancos centrais serão os ativos mais valiosos neste dia decisivo para o câmbio brasileiro.

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