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Isa Energia tem lucro de R$ 174 milhões no segundo trimestre, queda de 32%
Resumo:Principal pressão sobre o lucro veio do aumento das despesas financeiras, causado pelo crescimento das captações realizadas no mercado de capitais para financiar o programa de investimentos de R$ 12 bilhões
Principal pressão sobre o lucro veio do aumento das despesas financeiras, causado pelo crescimento das captações realizadas no mercado de capitais para financiar o programa de investimentos de R$ 12 bilhões
A transmissora colombiana Isa Energia Brasilregistrou lucro líquido de R$ 173,9 milhõesno segundo trimestre de 2026, queda de 32% em relação aos R$ 256 milhões apurados no mesmo período do ano passado. O recuo ocorreu apesar do avanço da receita e do resultado operacional da transmissora de energia.
Segundo a companhia, a principal pressão sobre o lucro veio do aumento das despesas financeiras, causado pelo crescimento das captações realizadas no mercado de capitais para financiar o programa de investimentos de R$ 12 bilhões. O resultado também foi impactado negativamente pela equivalência patrimonial.
A receita líquida atingiu R$ 1,24 bilhãoentre abril e junho, alta de 20,9% na comparação com os R$ 1,03 bilhão registrados no segundo trimestre de 2025. O crescimento foi impulsionado pela entrada em operação de novos projetos, pelo reajuste da Receita Anual Permitida (RAP) e pela expansão da base de ativos da empresa.
A receita operacional líquida, desconsiderando os valores relacionados à RBSE — indenização referente a ativos antigos de transmissão —, passou de R$ 513 milhões para R$ 779 milhões, crescimento de 52%. Já a parcela da receita ligada à RBSE recuou de R$ 516 milhões para R$ 464 milhões.
O Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 967 milhões no trimestre, avanço de 22,5% sobre os R$ 790 milhões apurados um ano antes. A margem Ebitda subiu um ponto percentual, para 77,8%.
“Tivemos avanços positivos, como receita e Ebitda, que mostram a evolução compatível com o que consideramos com o crescimento. Energizamos nos últimos 12 meses quatro projetos licitados que agregaram R$ 488 milhões de receita anual permitida (...). Em termos de custos, PMSO teve aumento de 13%, IPTU pesou este ano e honorário de hesito advocatício que não são recorrentes”, diz Silvia Wada, diretora financeira da empresa.
Sobre a queda no lucro líquido, o CEO da empresa, Rui Chammasexplica que isso se deve ao saldo da dívida, já que a empresa está financiando o ciclo de crescimento, além do IPCA maior no período.
Ao final de junho, a dívida bruta da ISA Energia alcançou R$ 17,7 bilhões, alta de 10,7% em relação a dezembro de 2025. A dívida líquida passou de R$ 14,1 bilhões para R$ 16,3 bilhões, enquanto a relação entre dívida líquida e Ebitda subiu de 3,63 vezes para 3,78 vezes.
De acordo com a empresa, o avanço operacional reflete a entrada em funcionamento de projetos de transmissão e de obras de reforços e melhorias de grande porte, além de ganhos de eficiência. A receita cresceu em ritmo superior ao das despesas operacionais.
Os gastos com pessoal, materiais, serviços e outras despesas, conhecidos pela sigla PMSO, aumentaram 13%, de R$ 187 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 211 milhões no mesmo período deste ano. Como proporção da receita operacional sem RBSE, porém, esses custos apresentaram redução, sinalizando ganhos de escala.
Entre os projetos energizados no trimestre estão Piraquê, localizado em Minas Gerais e no Espírito Santo, e Jacarandá, em São Paulo. Juntos, os empreendimentos acrescentam R$ 376 milhões à RAP do ciclo tarifário de 2026 e 2027.
Os investimentos da companhia totalizaram R$ 1,1 bilhão no trimestre, queda de 4,4% na comparação anual. Os aportes em projetos novos, chamados de greenfield, recuaram 16%, para R$ 608 milhões. Em sentido contrário, os investimentos em reforços e melhorias aumentaram 17%, para R$ 445 milhões.
Apesar do aumento do endividamento, a companhia informou que as novas captações permitiram ampliar o prazo médio da dívida, de 8,3 para 8,7 anos, e reduzir seu custo médio anual de 7,56% para 7,11%.
Desde 2023 a empresa não participa de leilões de transmissão e isso deve permanecer este ano, mas os executivos confirmam que vão participar do certame de transmissão.
Entre os fatos extraordinários está o follow on de R$ 1,2 bilhão ao preço unitário de R$ 27 por ação. A empresa também fez o descruzamento de ativos com a Áxia (antiga Eletrobras). Os dois eventos são subsequentes ao segundo trimestre, ou seja, tem efeito contábil no terceiro trimestre.
A empresa também encerrou em julho uma oferta de ações que movimentou R$ 1,2 bilhão, com a emissão de 44,4 milhões de ações preferenciais. Os recursos serão destinados à reorganização de participações societárias e a investimentos em reforços e melhorias da rede.
Na reorganização, a ISA Energia passará a deter 100% da Interligação Elétrica Madeira e venderá sua participação na Interligação Elétrica Garanhuns para a Axia Energia. A operação, prevista para ser concluída em agosto, deverá acrescentar R$ 306 milhões à RAP anual da companhia.
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