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Novo investidor no trem-bala Rio-SP deve ser europeu
Resumo:Presidente da empresa afirma que acordo é o principal passo para viabilizar o trem de alta velocidade entre os dois estados
Presidente da empresa afirma que acordo é o principal passo para viabilizar o trem de alta velocidade entre os dois estados
O novo investidor do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro deve ser europeu, segundo o presidente da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo. A empresa negocia um acordo para poder avançar com o projeto.
O executivo disse que as conversas são preliminares, mas que a tendência é que seja feito um acerto com investidores europeus. A empresa também conversava com empresários chineses.
Figueiredo afirmou que a definição desse parceiro é hoje o principal desafio do projeto. Segundo ele, a TAV Brasil atua como estruturadora da iniciativa e precisa reunir um grupo capaz de executar as obras, fornecer os equipamentos ferroviários, operar o sistema e desenvolver os empreendimentos imobiliários associados às estações.
O presidente da empresa explicou que grupos japoneses e sul-coreanos também foram avaliados ao longo do processo. Segundo ele, os japoneses demonstraram interesse apenas em um modelo com participação direta do poder público, enquanto os sul-coreanos não chegaram a procurar a empresa para discutir o projeto.
A definição do parceiro também será determinante para detalhes técnicos da ferrovia. Embora o traçado principal esteja praticamente consolidado, aspectos de engenharia ainda dependem da tecnologia que será utilizada.
Figueiredo explicou que diferentes modelos de trem exigem soluções distintas para túneis, rampas e obras de infraestrutura, o que pode resultar em ajustes pontuais no projeto. Por isso, ainda não há uma previsão exata de investimentos para o trem-bala. Além disso, o acordo está protegido por cláusulas de confidencialidade.
O desenho atual prevê estações em São Paulo, São José dos Campos e no Sul Fluminense, com parada em Barra Mansa ou Volta Redonda, antes da chegada ao Rio de Janeiro. Segundo o executivo, as negociações com a Prefeitura de Barra Mansa estão mais avançadas e aumentam as chances de o município receber a estação da região.
Na capital paulista, a empresa trabalha para que o terminal seja construído na futura estação Água Branca, que deverá concentrar conexões com as linhas 3-Vermelha, 6-Laranja, 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, além dos serviços regionais da TIC Trens.
Já no Rio de Janeiro, o projeto abandonou a proposta inicial de utilizar o ramal de Santa Cruz e passará a ter como destino final a região da Estação Central do Brasil. Segundo Figueiredo, houve entendimento com a SuperVia para compartilhamento de parte da infraestrutura ferroviária na chegada à capital fluminense.
Valores das passagens
A TAV Brasil também espera trabalhar com dois modelos de serviço. O primeiro será voltado para a ligação direta entre São Paulo e Rio de Janeiro, com tempo estimado de viagem de uma hora e meia e tarifa média de R$ 500.
O valor foi definido com base em estudos que apontavam preços equivalentes a cerca de 60% ou 70% da tarifa aérea média praticada na ponte aérea, embora a política tarifária final dependa do operador que assumir o serviço.
“O trem não tem as incertezas do avião”, afirmou Figueiredo ao comentar episódios recentes de interrupções operacionais em aeroportos paulistas. Segundo ele, a previsibilidade da operação ferroviária é um dos diferenciais do projeto para competir com o transporte aéreo.
O segundo modelo de serviço terá paradas intermediárias e tarifas mais próximas do transporte rodoviário. Nesse caso, os estudos trabalham com passagens entre R$ 250 e R$ 300 para deslocamentos até cidades como São José dos Campos e Barra Mansa ou Volta Redonda.
Além da operação ferroviária, a exploração imobiliária é apontada pela empresa como uma das bases econômicas do empreendimento.
Figueiredo afirmou que experiências internacionais mostram que estações de trem de alta velocidade costumam impulsionar o desenvolvimento urbano e imobiliário no entorno, permitindo a criação de novos polos residenciais e comerciais conectados aos grandes centros.
O cronograma definitivo para o início das obras e da operação ainda depende da conclusão do licenciamento ambiental e da definição do grupo investidor. Porém, a empresa estima o início das obras para 2027 e o início da operação em 2032.
Segundo o presidente da TAV Brasil, os prazos divulgados até agora devem ser tratados como referências, já que o projeto envolve etapas complexas de engenharia, financiamento e aprovação ambiental.
A TAV Brasil ganhou a autorização para construir o trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo no início de 2023. Essa concessão é praticamente vitalícia, já que o prazo é de 99 anos, com possibilidade de prorrogação de mais 99 anos.
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